Dê algumas tintas e um azulejo para o atiliense Elias Braga Martins e ele certamente irá surpreender você. Usando apenas os dedos, ele consegue criar verdadeiras obras de arte dignas de exposição nas melhores galerias do mundo.

Nascido no bairro Vila Reis, em Atílio Vivácqua, Lia Braga, como assina suas pinturas, demonstra muito amor pelo estilo de seus trabalhos. Com 48 anos, há aproximadamente oito meses vem transportando paisagens guardadas na memória para telas e azulejos. O Atéliê do artista? As ruas da cidade. “Comecei a pintar porque desde criança sempre fui apaixonado por pintura. Ainda garoto, me sentia comovido quando via um quadro”, conta emocionado.

Autodidata, o acredita que ainda precisa aprender muitas técnicas e combinações que dão harmonia aos quadros. Em alguns deles, Lia chega a utilizar até 20 cores diferentes. Segundo relata, suas obras são uma fuga do cotidiano. O colorido das telas é realmente de encher os olhos. “O que eu aprendi até agora é pouco, mas é dom de Deus, pois jamais fiz uma hora sequer de curso. Nunca pensei na arte para ganhar dinheiro. O que me faz pintar é o amor que tenho pela pintura”, garante o artista.

Cerâmica, azulejo, tinta óleo, fita crepe, espátula de fazer unha, buchinha de lavar vasilhas e verniz spray para secar a tinta e dar brilho à pintura são os principais materiais utilizados por ele. Sua inspiração vem da admiração pela simplicidade da natureza, sua beleza e solidão.

“Fiz muitas pinturas. Já trabalhei com telas de pano por um tempo. Agora, nestes oito meses, estou utilizando os azulejos. Tenho que ir pintando e vendendo para comprar material. A maioria das paisagens são da minha imaginação, prefiro pintar assim, pois o que imagino é o que realmente gosto. Também faço trabalhos por encomenda”, explica Lia Braga.


Os preços variam de acordo com o tamanho e o trabalho realizado. Os azulejos de 45 cm² são vendidos por R$ 40 ou R$ 50. Os menores custam entre R$ 10 a R$ 30 e os maiores de R$ 60 e R$ 70.

As dificuldades não são poucas. Segundo Elias, as artes plásticas não são valorizadas no município e a maioria das portas se encontram fechadas. Para manter o sustento de sua família a arte apenas não é suficiente e Elias trabalha como camelô em dias alternados. Como precisa vender o que pinta para comprar mais materiais, ainda não conseguiu manter um número de peças suficiente para fazer uma exposição. As obras são criadas no espaço de uma pizzaria em frente à rodoviária de Atílio Vivácqua.

“Eu trabalho na beira da rua, isso não é muito legal para pintar, pois a gente tem que ter tranquilidade. A maior dificuldade que existe é a falta de ajuda, de alguém acreditar na gente. Agora, com a Joelma aqui, à frente da secretaria de Cultura, espero que as coisas melhorem. Ela é uma pessoa competente e generosa”, finaliza o pintor.

Fotos: Guilherme Gomes
 

VEJA TAMBÉM